CONDUTAS E RUÍDOS EM EDIFÍCIOS

As exigências modernas colocadas pelo habitar criam exigências crescentes de tecnologia para os edifícios, o que se traduz em complexidade crescente nos sistemas de condutas e canalizações, de cablagens, de líquidos, de gases dos edifícios. Este facto tem implicações óbvias em todos os campos em que os guiamentos proporcionados por condutas possam ser inconvenientes, como seja a segurança contra incêndios e o isolamento sonoro entre espaços; note-se, no que respeita à área do desempenho acústico há que sublinhar que as condutas, para além de constituírem vias de transmissões marginais, que podem afetar o isolamento entre espaços que assim se tornam comunicantes, podem elas próprias tornar-se fontes de ruído “aéreo” e, mais correntemente de ruído de impacto, transmitido portanto à estrutura do edifício.

Com efeito, condutas de águas pluviais, de esgotos e de ar para ventilação ou/e condicionamento higrotérmico são fontes potenciais de ruídos, alguns deles particularmente incómodos pelas conotações que o auditor incomodado vai estabelecer naturalmente: imagine-se um dia de chuva e o ruído de água a correr num tubo de esgoto pluvial a fazer-se ouvir, quase “transpondo” a chuvada para o interior… E, já que referimos ruídos de chuva, pensemos no chuveiro do vizinho de cima, na água correndo pelo cano e cascateando a partir do chuveiro … uma vez mais a impressão auditiva vai-se traduzindo na impressão de que os nossos pés não estarão enxutos por muito tempo…

CONDUTAS E RUÍDOS EM EDIFÍCIOS

Nos casos que se referiram, por serem dos mais flagrantes, é evidente que as potências mecânicas postas em jogo pela circulação ou queda de água e transmitidas pelas tubagens à malha estrutural do edifício são muito reduzidas, mas aí entra em jogo a nossa acuidade auditiva muito elevada, verificando-se, nos casos apontados e noutros semelhantes, uma total polarização da atenção nos estímulos auditivos em causa, dadas as conotações que podem estabelecer-se, como se referiu atrás.

A propósito de sensibilidade auditiva, apenas uma referência, em contraponto dos valores gigantes com que todos os dias somos confrontados – é só pensar nos milhares de milhões de euros que a crise, sempre ela, foi vulgarizando! A audição resulta, em síntese, da movimentação de partículas do ar junto às membranas timpânicas. Pois bem, para o auditor normal e considerando um estímulo sonoro com frequência correspondente à zona de maior sensibilidade auditiva, digamos com frequência de cerca de 1000 Hz – pode ouvir a seguir o Lá 5 – a amplitude mínima da deslocação das partículas do ar: de modo a provocar um estímulo auditivo será da ordem de 10-11 m , isto é 0,00000000001m !!

E, voltando às canalizações, obviamente, tanto quanto possível afastá-las dos espaços onde se desenvolvam atividades mais sensíveis ao ruído – por exemplo, o desejável seria que as condutas de águas pluviais se localizassem no exterior dos edifícios, mas, não sendo isso aceitável por razões diversas, nomeadamente de ordem estética, há que ter presente que, em grande número de situações, o que está em causa é a transmissão referida “de percussão”, isto é pelo facto da existência de ligações rígidas com elementos da estrutura do edifício, que terão de ser interrompidas por “cortes elásticos”. A este respeito, há que chamar a atenção para o facto de a solução corrente que consta da inserção de coleiras resilientes nas zonas onde se localizam as abraçadeiras de fixação se tornar ineficiente por ocorrer aperto demasiado destas abraçadeiras, o que o instalador faz no sentido de melhorar a estabilidade da fixação. Deste modo, aconselha-se a que seja dada preferência a sistemas de apoio cujo desempenho não possa ser dependente de ações individuais de instaladores ou quaisquer outros agentes.

E, nesta mesma linha de proteção, se a conduta ou canalização for embutida numa alvenaria ou em elemento de construção análogo, deverá ser “embrulhada” em elemento que estabeleça o corte necessário – será por exemplo por esta via que se deverá resolver a situação do chuveiro do vizinho referido atrás…

Pois, mas como se referiu, as condutas não só podem ser fontes de ruído como vias de propagação guiada de ruídos! É bem verdade e, nesses casos, não esquecer a introdução de unidades atenuadoras sonoras adequadas nos atravessamentos das envolventes dos espaços onde ocorrem os ruídos – assim, pela conduta, ocorrerá a circulação do fluido como interessa e o ruído terá atenuação adequada na sua propagação.

 

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About Carla Alves

Carla Alves, Licenciada em Engenharia Civil pela Universidade da Beira Interior. Engenheira Civil Efectiva da Ordem dos Engenheiros. Faço projectos de especialidade de Engenharia Civil com freelancer e estou à procura de um emprego em Engenharia Civil.

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